
A Diocese de Guarapuava viveu, neste mês de maio de 2026, um verdadeiro clima de ordenação sacerdotal. Em menos de dez dias, a Igreja particular celebrou a ordenação de Messias Batista de França, em Santa Maria do Oeste, e também dos irmãos Anderson Carlos Ramos e Emerson Luiz Ramos, em Guarapuava. Em meio à alegria do jubileu de 60 anos da Diocese, as celebrações reacendem a memória de um momento histórico vivido há mais de quatro décadas: a ordenação dos primeiros sacerdotes nascidos em Guarapuava e incorporados ao clero diocesano.
A história remonta ao dia 7 de dezembro de 1980. Naquele domingo, cerca de seis mil pessoas lotaram o Ginásio de Esportes de Guarapuava para acompanhar a ordenação sacerdotal de Amani Spachinski de Oliveira e Honorato Pereira Machado. A celebração foi presidida pelo então bispo diocesano, Dom Frederico Helmel, e marcou profundamente a caminhada da jovem Diocese, instalada em 1966.

O acontecimento ganhou destaque nas páginas do Boletim Diocesano, que descreveu a ordenação como uma “manifestação de fé, esperança e oração”. O texto ressaltava o clima festivo e espiritual vivido pela Diocese e a emoção de ver “os dois primeiros padres nascidos no município de Guarapuava” assumindo o ministério sacerdotal.
Na edição 25 do boletim, Dom Frederico escreveu um artigo intitulado “A Ordenação Sacerdotal”, no qual refletia sobre a importância daquele momento para a maturidade da Igreja local. “Uma Igreja adulta e madura deve fornecer ela mesma as vocações sacerdotais”, escreveu o bispo, destacando que uma Diocese precisa gerar, acompanhar e sustentar suas próprias vocações.

O artigo ainda chamava atenção para o fato de que muitos sacerdotes atuantes na região eram vindos de outros países ou localidades, enquanto a Diocese começava, naquele momento, a despertar suas primeiras vocações locais. “Dois filhos nossos, enquadrados na hierarquia, elevados à dignidade sacerdotal”, registrou Dom Frederico.

Além da celebração litúrgica, a ordenação tornou-se um grande acontecimento para toda a cidade. Participaram cerca de 40 sacerdotes, autoridades civis e militares, representantes de associações e caravanas vindas de diversas paróquias. A animação litúrgica contou com a Banda Jovem Pérola do Oeste, coral formado por jovens das comunidades e ainda a participação do Coral do Seminário São José, de Ponta Grossa.
Outro detalhe marcante recordado pelo boletim foi o uso, durante a Santa Missa, de um cálice ofertado ao Serra Clube do Brasil pelo Papa São João Paulo II durante sua visita ao Brasil, em 1980. Este cálice atualmente encontra-se no Acervo do Movimento Serra na sede em Curitiba
Dias antes da ordenação, os futuros sacerdotes também escreveram uma mensagem publicada no boletim diocesano. Em um texto intitulado “Dois Caminhos”, Amani e Honorato refletiam sobre vocação, entrega e missão, comparando os diferentes rumos que a vida pode tomar. A carta revelava a simplicidade e a profunda espiritualidade dos jovens diáconos que se preparavam para o sacerdócio.

Passados mais de 45 anos daquela celebração histórica, a Diocese de Guarapuava revive novamente um tempo fecundo de vocações. Em pleno jubileu de diamante, as recentes ordenações de Messias Batista de França, Emerson Luiz Ramos e Anderson Carlos Ramos demonstram a continuidade da missão e da resposta generosa de jovens que seguem ouvindo o chamado de Deus.
No último dia 16 de maio, Messias Batista de França foi ordenado sacerdote diocesano na Paróquia Santa Maria Imaculada Conceição, em Santa Maria do Oeste. Já no dia 23 de maio, na Paróquia Santa Cruz e Nossa Senhora das Dores, em Guarapuava, os irmãos Anderson e Emerson receberam a ordenação sacerdotal pela imposição das mãos de Dom Amilton Manoel da Silva. Embora seguindo caminhos distintos dentro da Igreja, ambos deram sua resposta vocacional. Emerson Luiz Ramos tornou-se sacerdote diocesano da Diocese de Guarapuava, enquanto Anderson Carlos Ramos foi ordenado sacerdote da Congregação Passionista.

Durante as recentes celebrações, Dom Amilton destacou a alegria da Diocese em viver este novo tempo vocacional justamente no ano em que celebra seus 60 anos de instalação. Segundo o bispo, a Diocese possui atualmente dezenas de jovens em acompanhamento vocacional e seminaristas em formação, sinal de esperança para a continuidade da evangelização.
Entre 1980 e 2026, muita coisa mudou na estrutura, no número de paróquias e na própria caminhada pastoral da Diocese de Guarapuava. Mas permanece viva a mesma fé, o mesmo espírito missionário e a mesma oração pelas vocações que um dia reuniram milhares de pessoas no Ginásio de Esportes para celebrar os primeiros sacerdotes filhos desta terra.

Hoje, como naquele tempo, a Diocese continua vendo florescer novas vocações em meio ao seu povo, escrevendo novos capítulos de uma história construída com fé, missão e entrega ao Evangelho.
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