
A edição número 6 do Boletim Diocesano, publicada em dezembro de 1978, traz um registro singular da vida paroquial na Diocese de Guarapuava: a chegada e instalação de três sinos na Paróquia São Miguel Arcanjo, em Entre Rios. A matéria destaca não apenas o fato, mas o profundo simbolismo que envolve os sinos, marcados pela fé, pela identidade da comunidade e por uma coincidência histórica significativa.

De acordo com o boletim, a paróquia recebeu um carrilhão composto por três sinos, que, juntos com seus acessórios, somavam aproximadamente uma tonelada. Mais do que um elemento funcional, os sinos carregavam inscrições e intenções que expressavam a espiritualidade e a devoção do povo local.
Um dos aspectos mais marcantes relatados na publicação são as “felizes coincidências” envolvendo a data dos sinos. Encomendados para o dia 29 de setembro de 1978 — festa de São Miguel Arcanjo, padroeiro da paróquia —, eles chegaram exatamente nessa data. Além disso, traziam em sua fundição o nome do recém-eleito Papa João Paulo I, conhecido como o “Papa Sorriso”, falecido naquele mesmo ano. Os sinos puderam ser tocados pela primeira vez também no dia 29, em tom de homenagem.

Cada sino possui características próprias. O maior, dedicado a São Miguel Arcanjo, traz uma imagem do padroeiro e a inscrição “São Miguel Arcanjo, protegei a Paróquia”. Já o segundo, dedicado ao Sagrado Coração de Jesus, carrega frases de forte apelo espiritual, como o convite à oração e à construção da paz. O terceiro sino é consagrado ao Imaculado Coração de Maria, com a inscrição inspirada no Evangelho: “Fazei tudo o que Ele vos disser”.
Outro detalhe que chama atenção na matéria é a presença de símbolos e referências culturais gravados nos sinos, como escudos do Brasil, do Papa, do bispo e da colônia local, além de versos e expressões de gratidão dos colonos suábios, evidenciando a identidade da comunidade de Entre Rios.

O boletim ainda ressalta o impacto dos sinos na vida da comunidade, destacando seu triplo significado: visual, auditivo e espiritual. Para os olhos, representam beleza; para os ouvidos, um som profundo e marcante; e para o coração, uma memória viva da fé e da Igreja.
De acordo com a coordenadora da Pascom paroquial, Danielle Machado Milla, recentemente os sinos foram automatizados. “Eles tocam 10 minutos antes das missas, e às 07h e 12h todos os dias”.
O registro, preservado na edição nº 6 do Boletim Diocesano, revela não apenas um fato histórico, mas um testemunho da vivência religiosa e comunitária da época, onde cada detalhe — até mesmo o som de um sino — era expressão concreta da presença de Deus no cotidiano do povo.

Por: Jorge Teles – Fonte: Arquivo Boletim Diocesano




