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Especial 60 anos: Uma diocese comunicadora

Ao longo de sua história, a Diocese de Guarapuava consolidou uma marca que a acompanha desde os primeiros anos: a de uma Igreja comunicadora. Mais do que utilizar meios, a Diocese compreendeu, desde o início, que comunicar é parte constitutiva da evangelização. Trata-se de uma identidade que atravessa décadas e se confirma em iniciativas concretas, tanto no campo pastoral quanto nos meios de comunicação social.

Desde a sua instalação, em 26 de junho de 1966, sob o pastoreio de Dom Frederico Helmel, a comunicação esteve no centro da missão. Em um tempo em que ainda não se falava em internet ou redes sociais, já havia a consciência de que evangelizar é comunicar — e comunicar bem. Comunicação, nesse contexto, não se limitava a instrumentos, mas se manifestava na presença da Igreja, na catequese, na homilia, na visita missionária, na escuta das famílias, na organização das comunidades e na vivência da fé em comunhão.

Essa preocupação aparece de forma clara já nos primeiros registros históricos da Diocese. Em dezembro de 1978, na edição nº 6, o Boletim Diocesano trazia uma provocação direta: “A pastoral dos meios de comunicação social existe ou não existe em Guarapuava?”. A resposta vinha na prática pastoral: segundo a matéria no boletim, a Diocese, por meio de seu primeiro bispo, já investia na formação de agentes, enviando representantes para encontros e cursos em nível regional e nacional, promovendo intercâmbio com profissionais da área e buscando estruturar uma pastoral voltada à comunicação.

Ainda de acordo com a matéria, naquele mesmo período, o então responsável pela comunicação na diocese, padre Jorge Pierk, já apontava para a necessidade de integração e articulação. “O esforço atual do Boletim Diocesano está levando a sério passos em direção de tal organização”, afirmava, destacando o diálogo com a Rádio Cultura (emissora da diocese) e com os diversos movimentos da Diocese. A comunicação era compreendida como serviço comum, “de todos a favor de todos”, capaz de unir forças e garantir que a mensagem chegasse a todos os níveis da Igreja.

Equipamentos antigos da Rádio Cultura foram expostos no Instituto Histórico e Geográfico de Guarapuava por ocasião dos 50 anos da emissora ‘no ar’

O contexto, no entanto, exigia respostas concretas. A Diocese de Guarapuava sempre foi marcada por um território amplo, grandes distâncias, dificuldades de transporte e limitações nos meios de comunicação. Somava-se a isso a escassez de padres para atender comunidades espalhadas por regiões longínquas. Diante desse cenário, Dom Frederico Helmel teve uma visão pastoral decisiva: investir em comunicação era investir diretamente na evangelização.

Veículos de comunicação católicos na Diocese de Guarapuava

Foi assim que, ainda em 1966, nasceu a Rádio Cultura AM Nossa Senhora de Belém Ltda., criada com o objetivo de explorar concessões de rádio. A autorização foi concedida em 1967 e, em janeiro de 1971, a emissora entrou no ar em caráter experimental, passando a operar definitivamente no mês seguinte. Mais tarde, em 1976, a estrutura foi reorganizada com a criação da Fundação Nossa Senhora de Belém, fortalecendo a presença da Igreja no campo da comunicação. Desde então, a Rádio Cultura mantém, de forma ininterrupta, em sua grade de programação, o programa “A Voz do Pastor”, levando semanalmente a palavra do bispo diocesano aos fiéis, consolidando-se como um canal permanente de proximidade, orientação e unidade entre o pastor e o povo de Deus. Com a articulação feita pela Comissão da Comunicação, o programa é atualmente transmitido em outras seis emissoras de rádio no território da diocese.

Foto: Estúdio da Rádio Cultura (2017): Silvonei José (Rádio Vaticano – Vatican News) sendo entrevistado pelo radialista Luis Góes. O guarapuavano Silvonei José iniciou sua vida profissional nesta emissora.

Em 26 de junho de 1981, data simbólica para a Diocese, foi inaugurada a Rádio Cultura FM 93,7. Com isso, a Diocese passou a atuar em duas frequências — AM e FM — ampliando significativamente o alcance da evangelização. O rádio se consolidou como um instrumento fundamental, especialmente em uma realidade onde outros meios ainda eram escassos. Como já destacava um texto da época, o anúncio do Evangelho era visto como “a maior expressão de amor aos homens de Guarapuava”.

Mas a Diocese não se limitou ao rádio. Em julho de 1978, surgiu o Boletim Diocesano, pensado como um elo de união entre as comunidades. Na primeira edição, Dom Frederico Helmel sintetizou bem essa intuição ao afirmar que, embora as distâncias separassem, a Igreja unia — e essa união precisava de instrumentos. O Boletim nasceu justamente com essa missão: ser ponte, laço e unidade.

Ao longo dos anos, outros meios foram sendo incorporados. O Jornal Cultura, publicado entre 1991 e 2001, fortaleceu a presença da Igreja na sociedade, ampliando o diálogo com a comunidade e oferecendo informação e formação à luz do Evangelho. Com o avanço da tecnologia, a Diocese também assumiu a internet como espaço de missão, por meio do portal diocesano e posteriormente da presença nas redes sociais, ampliando ainda mais o alcance da evangelização.

Em 9 de dezembro de 1999, a Rede Vida de Televisão passou a ser transmitida em canal aberto em Guarapuava, fruto do empenho da Diocese em ampliar a presença da Igreja Católica também no meio televisivo. Na época, foi lançada a campanha “1 real por católico”, com o objetivo de viabilizar a instalação do sinal na cidade. O então bispo diocesano, Dom Giovanni Zerbini, destacou, em entrevista ao Jornal Cultura: “O sonho de uma televisão cristã se tornará realidade. As famílias brasileiras serão sempre agradecidas por sua generosidade neste momento decisivo”. Atualmente, a Rede Vida, assim como algumas outras TVs católicas (TV Pai Eterno, TV Evangelizar, TV Aparecida), repercute, em alguns de seus espaços jornalísticos, matérias produzidas pelo jornalista Jorge Teles, assessor de imprensa da Diocese, levando para todo o país informações e acontecimentos da Igreja em Guarapuava.

Mas um dos momentos mais significativos dessa trajetória foi a atuação da Rádio Cultura, na época Central Cultura de Comunicação, em rede nacional. A emissora de Guarapuava chegou a ser cabeça de rede da antiga RCR – Rede Católica de Rádio, atual Signis Rádio, gerando para as cinco regiões do país o Jornal Brasil Hoje (JBH). Essa experiência colocou a Diocese em destaque no cenário da comunicação católica brasileira, demonstrando sua capacidade de produção, articulação e serviço à Igreja no Brasil.

Articulação e comunhão: A Diocese articulou, se inseriu e caminhou em sinodalidade com a comunicação na Igreja

Além dos instrumentos, a Diocese também avançou na organização pastoral da comunicação. A partir do episcopado de Dom Antônio Wagner da Silva, quarto bispo diocesano, iniciou-se a estruturação mais sistemática da Pastoral da Comunicação (Pascom) em nível diocesano e também regional. Desde 2003, a pastoral passou a ser articulada na diocese de forma mais orgânica, em sintonia com as diretrizes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que reconhece a comunicação como eixo essencial da ação evangelizadora. Em 2012 essa articulação passou a ser realizada também no Regional Sul 2.

Registro do primeiro encontro de coordenadores da Pascom Regional realizado em Guarapuava – 2012

Esse processo também contou com a participação ativa de leigos da Diocese em instâncias regionais e nacionais. Nomes como Jorge Teles e, atualmente, Vanessa Pereira, estiveram à frente da coordenação da Pascom no Regional Sul 2 da CNBB, contribuindo para a formação e articulação das equipes de comunicação. A presença diocesana também se fez sentir com Jorge Teles na antiga Rede Católica de Rádio e na Signis Rádio, ampliando ainda mais essa inserção.

Em âmbito regional, outro passo significativo para o início da articulação da comunicação foi a presença do jornalista Jorge Teles, que acompanhou Dom Wagner nas Assembleias Gerais da CNBB a partir de 2008, inicialmente em Itaici e, posteriormente, em Aparecida. Ao longo de vários anos, o jornalista produziu conteúdos em texto e áudio, com foco na participação dos bispos do Paraná, compartilhando os materiais com as dioceses do Regional Sul 2 — papel que, mais tarde, passou a ser assumido pela Assessoria de Comunicação do Regional. A participação da diocese nos Mutirões de Comunicação nacionais, nos encontros de Pascom e a organização do I Mutirão Paranaense também se destacam como marcos importantes nesse processo.

Atualmente, essa identidade comunicadora segue viva e fortalecida. Dom Amilton Manoel da Silva, bispo diocesano, integra a Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação da CNBB e é referêncial da Pascom no Paraná, reafirmando o compromisso da Diocese com uma comunicação cada vez mais missionária, integrada e em sintonia com a Igreja no Brasil.

Ao revisitar essa trajetória, percebe-se que a comunicação nunca foi apenas um setor ou um conjunto de ferramentas na Diocese de Guarapuava. Ela é parte essencial de sua missão. Porque, no coração da Igreja, comunicar é mais do que transmitir mensagens: é gerar comunhão. E é nessa comunhão, vivida e anunciada, que a Diocese continua a proclamar, com fidelidade e criatividade, a Boa Nova que transforma vidas.

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