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Encontro da Juventude Indígena reúne 190 participantes em Guarapuava e promove reflexão sobre desafios da juventude

Rodas de conversa, oficinas, apresentações culturais e atividades formativas marcaram o Encontro Formativo e Cultural da Juventude Indígena do Paraná, realizado entre os dias 3 e 5 de julho, no Centro Indígena San Juan Diego, em Guarapuava. A iniciativa reuniu 190 participantes de diversas aldeias indígenas e assentamentos do Paraná.

Segundo Teodoro Tupã Alves, líder e professor indígena da etnia Guarani, que atua na região Oeste do Paraná, esta foi a segunda das três etapas anuais de encontros, promovidas pela Pastoral Indígena e Indigenista do Regional Sul 2 da CNBB. De acordo com ele, um dos principais objetivos é fortalecer os vínculos da juventude com a comunidade diante dos desafios atuais. “Hoje existe um número crescente de problemas relacionados à saúde mental entre os jovens indígenas. Por isso, queremos aproximá-los da comunidade, da família e das lideranças, para que se sintam acolhidos e essa realidade possa ser superada”, afirmou.

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Com o tema “Justiça Restaurativa: crianças, adolescentes e jovens – A questão das mídias e das drogas”, o encontro abordou temas como o uso de drogas, o alcoolismo, a violência, o preconceito e a discriminação enfrentados pelos jovens indígenas. Para Teodoro, essas situações afetam diretamente a autoestima da juventude. “Muitos jovens sofrem preconceito, especialmente aqueles que vivem nas periferias das cidades ou em acampamentos. A sociedade ainda enxerga, principalmente a juventude Guarani, de forma negativa, e isso precisa ser transformado”, destacou.

Participando pela primeira vez do encontro, Mauro Casemiro, da etnia Kaingang, vindo da região de Curitiba, ressaltou a importância da troca de experiências entre os povos indígenas. “Estamos aprendendo novos conhecimentos e também compartilhando aquilo que já vivemos. Esses encontros fortalecem a cultura do povo Kaingang e ajudam a transmitir nossos valores aos adolescentes e jovens, para que não percam suas tradições”, disse. Mauro trouxe para o encontro o artesanato confeccionado na comunidade. “A gente trabalha com esses artesanatos, trabalha com madeira, com esteira, com semente, bambu e cipó. E também o artesanato a gente está passando para geração a geração. Então, para mim, esse encontro é muito bom.”

Haldecir José da Silva, integrante da Pastoral Indígena e Indigenista e diácono permanente da Diocese de São José dos Pinhais, explicou que a formação busca incentivar os jovens a aprofundarem o conhecimento sobre sua própria cultura. “Nosso objetivo é valorizar as tradições dos povos Kaingang e Guarani. Também trabalhamos questões como alcoolismo e drogas, que infelizmente atingem muitas aldeias, procurando prevenir essas situações por meio da formação e do fortalecimento da identidade cultural”, afirmou.

Dorival Gremag Bernardo, da Terra Indígena Rio das Cobras, no município de Nova Laranjeiras, destacou que o encontro contribui para fortalecer a identidade dos jovens indígenas e promover a conscientização sobre problemas que afetam as comunidades. “Esse encontro fortalece a identidade dos jovens. As palestras tratam de temas como as drogas e o alcoolismo, que infelizmente estão muito presentes nas aldeias do Paraná. Isso prejudica toda a comunidade, tanto os jovens quanto os adultos. Nossa maior preocupação é justamente proteger a juventude dessa realidade”, afirmou.

De acordo com a Pastoral Indígena e Indigenista do Regional Sul 2 da CNBB, os encontros têm como objetivo oferecer um espaço de diálogo, formação e valorização das culturas originárias e dos saberes ancestrais, fortalecendo a identidade dos povos indígenas, promovendo a troca de experiências e incentivando a participação da juventude nos processos sociais, educacionais e culturais do Paraná.

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