
No próximo sábado, 20 de dezembro, a Igreja Diocesana de Guarapuava viverá um momento especial com a ordenação diaconal dos seminaristas Emerson Luiz Ramos e Messias Batista de França. A celebração acontece às 15h, na Catedral Nossa Senhora de Belém, e será presidida por Dom Amilton Manoel da Silva, bispo diocesano, reunindo familiares, amigos, fiéis e representantes das comunidades paroquiais.
Por meio da imposição das mãos e da oração consecratória, os dois seminaristas serão ordenados diáconos transitórios, assumindo oficialmente um ministério de serviço na Igreja e avançando mais uma etapa no caminho de preparação para o sacerdócio. A ordenação expressa o compromisso de entrega ao Evangelho e à missão pastoral junto ao povo de Deus.

Messias é natural de Santa Maria do Oeste, na Diocese de Guarapuava. “Sou natural de Santa Maria do Oeste, meus pais ainda residem lá, na área rural, e somos uma família de seis irmãos”, contou. Ao comunicar à família o desejo de iniciar o discernimento vocacional, Messias recorda que encontrou acolhida e alegria. “Quando contei para os meus pais e familiares que estava fazendo o processo de discernimento vocacional, prontamente eles me apoiaram e ficaram muito felizes. O coração da mãe e do pai ficou exultante por saber do caminho que eu estava iniciando”.
A vocação de Messias surgiu de forma madura e gradual, a partir da vivência concreta da fé no dia a dia. “A minha vocação é um pouco tardia, uma vocação mais adulta”, explicou. Em busca de realizar seus projetos pessoais, deixou Santa Maria do Oeste e foi morar em Rio Negrinho (SC), onde iniciou sua vida profissional. Foi ali que viveu uma experiência decisiva com Deus. “Eu fiz a minha experiência de Deus num grupo de jovens. Não foi algo extraordinário, foi no simples, no ordinário, no dia a dia. Nunca sonhava em ser padre. Talvez fosse a última coisa que eu sonhasse”.
Ouça a entrevista:

Aos poucos, a participação nos encontros, nas orações e na evangelização foi despertando um chamado mais profundo. “Quanto mais eu me dava, mais me entregava à evangelização. Trabalhava o dia inteiro e, quando chegava, já ia para o grupo de jovens, preparar encontros, retiros. E a Palavra de Deus foi interpelando o meu coração”, relatou. Segundo ele, crescia o desejo de se doar ainda mais. “Eu sentia que Deus me chamava a me entregar mais, a me doar mais”.
O discernimento vocacional foi sendo confirmado na oração e no acompanhamento espiritual. “Cada vez que eu rezava o terço, rezava com a Palavra de Deus, na adoração, na missa, aquilo gritava no meu coração”, contou. Com o auxílio da direção espiritual, ouviu um conselho decisivo: “Não tem outro caminho a não ser fazer a experiência vocacional”. A partir disso, iniciou os estágios vocacionais.

A primeira etapa da formação aconteceu em Rio Negrinho, no seminário dos padres Dehonianos, da Congregação do Sagrado Coração de Jesus. “Na época eu não sabia a diferença entre vida religiosa e vida diocesana. Eu só queria responder ao chamado”, explicou. Ali realizou o propedêutico e a filosofia.
Messias reconhece que o caminho formativo não é isento de crises, mas é essencial: “Tem muita crise, muito processo de lapidação, mas tudo isso é muito necessário para o discernimento”.
Com o amadurecimento vocacional, Messias pediu para ingressar na Diocese de Guarapuava, iniciando a etapa da Teologia, cursada ao longo de quatro anos no Seminário Maior de Teologia, em Curitiba, concluída neste ano. Ele destaca que o seminário é um espaço privilegiado de formação integral. “É uma grande oportunidade de formação humana, espiritual e intelectual. Na filosofia aprendemos a ser discípulos; na teologia somos chamados a configurar nossos sentimentos, pensamentos e nosso ser a Cristo Bom Pastor”.

A caminhada vocacional de Messias também foi profundamente marcada pela experiência pastoral junto ao povo de Deus. “A minha vocação nasceu de uma relação íntima com Jesus, mas essa relação não fica só entre eu e Ele. Ela é para o povo de Deus”, afirmou. Ao longo da formação, passou por cinco paróquias, destacando de modo especial o último ano de pastoral, vivido em Rio Bonito do Iguaçu. “Foi um caminho muito bonito e maduro, de grande proveito espiritual, especialmente com a juventude, as lideranças e os ministros”.
Nesse período, Messias enfrentou uma das experiências mais desafiadoras de sua caminhada: o tornado que atingiu Rio Bonito do Iguaçu. “Foi uma das maiores dificuldades que já enfrentei na pastoral. Deixou marcas, feridas e traumas no coração do nosso povo”, recordou. Mesmo diante da dor, ele destaca a missão da Igreja naquele momento. “Nós fomos um ponto de acolhida, de esperança, um sinal de Deus no meio do povo. Estar lá, junto, foi essencial”.

Para ele, essa vivência confirmou ainda mais o sentido do ministério. “Em meio às dificuldades, percebemos que nossa vida precisa ser entregue a Deus em favor do povo. Se com a nossa vida conseguimos acalentar, dar sentido e mostrar o caminho, então estamos no caminho certo”, afirmou, destacando o chamado a ser “uma Igreja em saída”, como ensinou o Papa Francisco.
Aos jovens que sentem o chamado vocacional, Messias deixa uma mensagem encorajadora: “Não tenham medo de dar os passos. Você dá o passo e Deus coloca o chão”. Ele incentiva a experiência vocacional como caminho de discernimento. “Todo jovem precisa fazer uma experiência de seminário, assim como as jovens uma experiência de convento, para descobrir qual é a sua vocação, o que Deus sonhou para a sua vida”. E conclui: “Não tenha medo. Venha fazer essa experiência vocacional. Que Nossa Senhora, Mãe dos vocacionados, interceda por cada um de nós”.

A ordenação diaconal de Messias Batista de França e Emerson Luiz Ramos será um momento de graça para toda a Diocese de Guarapuava, sinal da fidelidade de Deus que continua chamando e enviando servidores para o cuidado do seu povo.





