Dom Amilton preside Missa no Santuário de Nazaré, em Belém, e destaca a força da devoção mariana e o cuidado com a Casa Comum

Durante celebração nesta segunda-feira (12), bispo de Guarapuava refletiu sobre a presença de Maria na vida da Igreja, a diversidade cultural do povo brasileiro e a responsabilidade cristã pela preservação da natureza

Imagem: reprodução redes sociais da Basílica Santuário de Nazaré

O bispo da Diocese de Guarapuava, Dom Amilton Manoel da Silva, presidiu nesta segunda-feira, 12 de outubro, às 18h, a Santa Missa na Basílica Santuário de Nazaré, em Belém, no Pará. A celebração integrou a programação religiosa do Círio de Nazaré, uma das maiores manifestações de fé e devoção mariana do Brasil, que reúne milhões de fiéis na capital paraense.

Celebrado anualmente no segundo domingo de outubro, o Círio de Nazaré tem como principal expressão a grande procissão que conduz a imagem de Nossa Senhora de Nazaré pelas ruas de Belém. Em 2026, a grande procissão ocorreu no domingo, 11 de outubro, e as celebrações prosseguem ao longo da quinzena do Círio.

Dom Amilton na grande procissão (Foto: Redes Sociais de Dom Amilton)

Durante a homilia, Dom Amilton partilhou sua experiência ao acompanhar a multidão de devotos que participa da festividade. O bispo destacou a força da devoção mariana, capaz de reunir pessoas de diferentes lugares e realidades em torno de uma pequena imagem de Nossa Senhora. “Como pode tanta gente ser atraída? É Maria que puxa esse povo. E eu senti como se Nossa Senhora puxasse. Naquela imagem pequena, essa multidão foi puxada”, afirmou.

Em sua homilia, ao refletir sobre a presença de Maria na história da salvação, Dom Amilton recordou dois mistérios fundamentais para compreender a devoção mariana: a Encarnação e a Compaixão.

O primeiro está relacionado ao anúncio do anjo Gabriel e à resposta de Maria ao chamado de Deus para ser a Mãe de Jesus. O segundo remete ao momento da crucificação, quando Jesus, do alto da cruz, confia sua Mãe ao discípulo amado e, nele, a toda a humanidade. “Pelo mistério da Encarnação e da Compaixão, a Igreja, através dos tempos, vai realizando aquilo que Maria cantou no Magnificat e profetizou: todas as gerações me chamarão de bem-aventurada”, explicou o bispo.

Dom Amilton relacionou essa passagem bíblica à devoção expressa pelos milhares de peregrinos que participam do Círio de Nazaré. Segundo ele, ao honrar Nossa Senhora, os fiéis continuam realizando aquilo que Maria anunciou em seu cântico de louvor a Deus.

As diferentes imagens de Nossa Senhora e a diversidade do povo brasileiro

Outro ponto destacado pelo bispo foi a riqueza cultural e humana expressa nas diferentes representações de Maria. Dom Amilton lembrou que Nossa Senhora é venerada sob diversos títulos e representada com características que refletem a história e a identidade dos povos. “Aparecida é negra, de Nazaré branca, Guadalupe vermelha, indígena. Maria se mistura ao moreno, mulato, Maria se mistura ao amarelo dos orientais”, afirmou.

Para o bispo, essa diversidade também representa a riqueza de culturas, carismas e dons presentes na Igreja e na sociedade brasileira. “No Brasil, esse colorido de raças, de culturas, diversidade de carismas, essa multiplicidade de dons, colocados a serviço de Deus, para a construção do seu Reino, é esse colorido mariano de suas imagens”, refletiu.

A mensagem ganhou significado especial por ter sido proclamada justamente em 12 de outubro, quando a Igreja no Brasil celebra Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, enquanto Belém vive as festividades em honra a Nossa Senhora de Nazaré.

Nossa Senhora de Nazaré e o cuidado com a Casa Comum

Na homilia, Dom Amilton também relacionou a devoção mariana à responsabilidade pela preservação da natureza, especialmente na região amazônica.

Ao recordar Nossa Senhora de Nazaré como Rainha da Amazônia, o bispo destacou a importância de proteger os recursos naturais e superar a indiferença diante dos problemas ambientais. “Esta Mãe que sobe da terra, sobe das águas, para dizer também o quanto é importante, e como Rainha da Amazônia, cuidarmos da natureza, cuidar da Casa Comum, o cuidado com as águas, com os rios, com as florestas, com o ar. Ainda estamos insensíveis e indiferentes”, alertou.

Imagem: reprodução redes sociais da Basílica Santuário de Nazaré

A reflexão reforçou a relação entre fé e compromisso com a criação, convidando os cristãos a reconhecerem que o cuidado com o meio ambiente também faz parte da responsabilidade de quem procura viver o Evangelho.

A presença de Dom Amilton nas celebrações do Círio de Nazaré representa também um momento de comunhão com a Igreja da Amazônia. Ao presidir a Missa na Basílica Santuário, o bispo de Guarapuava destacou uma devoção que, assim como a de Nossa Senhora Aparecida, atravessa gerações e reúne milhões de brasileiros em torno da fé, da esperança e do amor à Mãe de Jesus.

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