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II Encontro Vocacional reúne 64 jovens no Seminário Diocesano em Guarapuava

Durante três dias, participantes foram convidados a refletir sobre a própria história, o encontro com Jesus Cristo e o chamado de Deus; cerca de 25 jovens seguirão em acompanhamento mais próximo

O Seminário Diocesano Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, acolheu de sexta-feira a domingo, 21 a 23 de agosto, o II Encontro Vocacional de 2026. Com o tema “Quem queres que eu seja?” e o lema “Completa em mim a vossa obra” (Sl 138,8), o encontro reuniu 64 jovens para três dias de oração, formação, convivência e discernimento.

Ao todo, 101 jovens fizeram a inscrição. O número de participantes confirma a significativa procura pelas atividades vocacionais promovidas pela Diocese de Guarapuava. No primeiro encontro deste ano, realizado em maio, 59 jovens estiveram no Seminário.

Para o bispo diocesano, Dom Amilton Manoel da Silva, essa procura é um sinal que deve ser acolhido com alegria e também com responsabilidade pela Igreja. “Essa busca dos nossos jovens já faz arder ainda mais o nosso coração e ficamos felizes, porque Deus está inquietando os nossos jovens e dizendo: a sua vida tem sentido. Eu estou com você. Você tem uma missão especial nessa terra.”

Dom Amilton ressaltou que o encontro não tem como objetivo simplesmente encaminhar todos os participantes para o Seminário. Antes, oferece condições para que os jovens façam um verdadeiro processo de discernimento. “Não significa que todos esses jovens estarão conosco o ano que vem. Mas eles estão aqui discernindo, necessitam do nosso apoio, das nossas orações, do nosso incentivo nas paróquias e comunidades da Diocese.”

Quem sou eu? Quem é Jesus? Quem é o padre diocesano?

O reitor do Seminário Diocesano, Padre Mateus Kurta, explica que três grandes perguntas nortearam os colóquios realizados especialmente durante o sábado, considerado o coração da programação: “Quem sou eu?”, “Quem é Jesus?” e “Quem é o padre diocesano?”

O primeiro momento contou com a colaboração de profissionais da área de psicologia e levou os participantes ao autoconhecimento e à reflexão sobre a própria história. “Precisamos que esses jovens se conheçam, que tenham consciência da sua história”, explicou Padre Mateus.

Na sequência, o seminarista Valdemir Paulo Martins Filho, da etapa da Configuração e que cursa Teologia em Curitiba, conduziu o colóquio sobre Jesus Cristo. À noite, o professor Léo Souza ajudou os participantes a refletirem sobre a identidade e a missão do padre diocesano. Segundo o reitor, todo o itinerário foi pensado para proporcionar liberdade ao jovem diante da própria decisão. “Foi essa nossa proposta: ajudarmos esses vocacionados a se situar e saber quem eles são, apresentando também quem é Jesus, para que então possam discernir se querem ser um padre diocesano ou buscar outras vocações.”

A programação começou ainda na sexta-feira, com acolhida, atividades de integração e Adoração. No sábado, além dos colóquios, houve Santa Missa, Lectio Divina, esporte, gincana, convivência e momentos de oração. No domingo, a experiência foi concluída com celebração, conversas, Adoração e almoço.

Padre Mateus chama a atenção para uma característica dos participantes: a maioria já possui algum envolvimento com a vida da Igreja, seja nas comunidades rurais ou nas paróquias.

Muitos atuam na catequese, como acólitos e coroinhas, ou participam de pastorais e movimentos. Para o reitor, a vivência comunitária é fundamental também para aqueles que poderão futuramente seguir o caminho do sacerdócio. “Isso também é um dos critérios para acolhermos os futuros seminaristas: que eles tenham uma vida de comunidade, porque, afinal, o padre estará sempre com o seu rebanho, acompanhando as pastorais e movimentos.”

Padre Mateus atribui a procura pelos encontros, antes de tudo, à iniciativa de Deus. “Primeiramente, é a obra de Deus. Depois, nós atribuímos às comunidades, às paróquias, às comunidades vocacionais”, explicou.

O reitor também destaca o trabalho das pastorais e movimentos que acompanham crianças, adolescentes e jovens e o testemunho dos sacerdotes, que muitas vezes percebem nas comunidades os primeiros sinais de uma possível vocação e incentivam os jovens a iniciarem um acompanhamento.

Jovens falam sobre a experiência

Entre aqueles que passaram o fim de semana no Seminário está Rafael Ferreira Kordiak, de Santa Maria do Oeste. Ele procurou o encontro para aprofundar a escuta sobre aquilo que Deus deseja para sua vida. “O que me motivou a participar foi ter essa escuta maior de Deus, do que Ele quer para a minha vida. As expectativas foram superadas. Eu pude ter uma escuta maior e, como consequência disso, um discernimento maior sobre minha vocação.”

Para Davi Castro Souza, a decisão de participar nasceu de algo que ele define como uma inquietação interior. “A minha principal motivação para participar do encontro foi um chamado, uma inquietação no meu coração. Quando Jesus toca no coração da gente, a gente deve responder a esse chamado.” Davi afirma que os dias no Seminário ajudaram a aprofundar perguntas que já trazia consigo. “O encontro tem sido muito importante para discernir a minha vocação e entender por que Deus me chama, por que eu estou aqui e qual é a minha vocação.”

Marlon Cesar de Lima, da Paróquia Sant’Ana e São Joaquim, de Pitanga, também chegou ao encontro buscando uma resposta para o futuro. “Vim para o encontro para descobrir minha vocação, o que será o meu caminho, e descobri. O encontro foi muito positivo, o preparo aqui do Seminário foi muito bonito, muito pensado.”

De Marquinho, da Paróquia Imaculado Coração de Maria, Rubens Cardoso trouxe questionamentos semelhantes. “No encontro procurei descobrir quem eu sou e qual é a vontade de Deus sobre a minha vida. É entender e discernir essa vocação, qual vai ser. Foi muito bom mesmo.”

Luiz Eduardo, da Paróquia Divino Espírito Santo, de Guarapuava, destaca que, além da percepção do chamado de Deus, encontrou incentivo nos sacerdotes da Diocese para participar. “Além do chamado de Deus, a motivação também dos padres aqui da nossa Diocese e, muito mais, conhecer o que Deus quer para nós, que Deus quer fazer uma obra nova, algo novo nas nossas vidas.” Ao avaliar a experiência, Luiz destacou especialmente os momentos de espiritualidade. “Minha avaliação é nota 10. Desde lá de casa até vir aqui, eu já fui tocado pelo amor de Deus para participar e discernir mais sobre o meu chamado, sobre a minha missão.”

Cerca de 25 jovens seguirão em acompanhamento

Com o encerramento do encontro, o trabalho vocacional entra em uma nova etapa. Segundo Padre Mateus, entre os participantes há cerca de 24 a 25 jovens que estão concluindo ou já concluíram o Ensino Médio, ou que realizam outras experiências de estudo, e apresentam condições para um acompanhamento mais próximo.

Eles já passaram por conversas individuais durante o encontro e continuarão sendo acompanhados pela equipe de formação. Desse grupo serão discernidos os possíveis candidatos ao ingresso no Seminário Diocesano no próximo ano.

A Diocese realiza dois grandes encontros vocacionais durante o ano: o primeiro no período do quarto Domingo da Páscoa, quando a Igreja celebra o Domingo do Bom Pastor, e o segundo em agosto, mês dedicado às vocações. A partir deles, alguns jovens são selecionados para um terceiro encontro, mais restrito, destinado àqueles que avançaram no processo de discernimento.

Nessa última etapa, as famílias também participam, podendo conhecer melhor a proposta formativa, esclarecer dúvidas e acompanhar a decisão do jovem sobre um possível ingresso no Seminário.

Ao final dos três dias, permanece também o pedido para que toda a Diocese acompanhe esses jovens por meio da oração e do incentivo. “Deus abençoe todas as vocações e particularmente esses nossos jovens vocacionados, os nossos seminaristas, os nossos formadores, homens e mulheres que colaboram conosco para ajudar com que essa juventude dê um passo bonito no serviço a Deus”, concluiu Dom Amilton.

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