
As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2026-2032, reunidas no Documento 114 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dedicam uma seção específica ao tema da comunicação, reafirmando que evangelizar e comunicar são realidades inseparáveis.
O assunto é tratado entre os números 170 e 177, destacando que a comunicação deve estar presente em toda a ação pastoral da Igreja, muito além da divulgação de notícias e eventos.
O documento recorda que a missão da Igreja nasce do próprio Cristo, comunicador do amor do Pai. Por isso, as Diretrizes afirmam que a comunicação deve ser compreendida como uma dimensão constitutiva da evangelização e não apenas como um instrumento a serviço das pastorais (n. 170). Essa perspectiva convida as comunidades a assumirem uma cultura da comunicação capaz de favorecer o encontro, a escuta, o diálogo e a proximidade com as pessoas.
Ao abordar os desafios do tempo presente, as Diretrizes reconhecem que o ambiente digital passou a integrar a vida cotidiana de milhões de pessoas. Diante dessa realidade, a Igreja é chamada a marcar presença também nesse espaço, promovendo uma evangelização que utilize as novas linguagens e tecnologias sem perder a identidade do anúncio do Evangelho. O documento incentiva uma atuação missionária nas redes sociais e demais plataformas digitais, sempre pautada pela responsabilidade, criatividade e testemunho cristão (nn. 171-173).
Outro ponto enfatizado pela CNBB é a formação dos comunicadores. As Diretrizes recomendam que dioceses, paróquias, pastorais e movimentos invistam na preparação dos agentes da comunicação, proporcionando formação técnica, pastoral, espiritual e humana. O objetivo é que aqueles que atuam nesse serviço sejam capazes de comunicar a fé com competência, sensibilidade e profunda comunhão com a missão da Igreja (nn. 174-175).
As Diretrizes também chamam atenção para os desafios éticos presentes no universo da comunicação. Em um contexto marcado pela velocidade da informação, pela desinformação e pela polarização, o Documento 114 ressalta que os cristãos são chamados a promover uma comunicação comprometida com a verdade, a fraternidade e a dignidade da pessoa humana. A comunicação evangelizadora deve contribuir para a construção da cultura do encontro e da paz, evitando discursos que alimentem divisões ou a propagação de notícias falsas (n. 176).
Ao concluir a reflexão, a CNBB reafirma que comunicar o Evangelho é responsabilidade de toda a Igreja. Mais do que produzir conteúdos ou utilizar novas tecnologias, trata-se de testemunhar Jesus Cristo em todos os ambientes, fazendo da comunicação um caminho de comunhão, participação e missão. Conforme destaca o número 177, a comunicação deve perpassar toda a ação evangelizadora, fortalecendo a presença da Igreja na sociedade e contribuindo para que o anúncio do Reino de Deus alcance cada vez mais pessoas.
Com essa abordagem, o Documento 114 reforça que a comunicação ocupa lugar estratégico na vida e na missão da Igreja no Brasil. Em um mundo profundamente conectado, evangelizar exige não apenas utilizar os meios de comunicação, mas cultivar relações autênticas, promover o diálogo e anunciar, com credibilidade e esperança, a Boa-Nova de Jesus Cristo.




