
A Pastoral da Pessoa Idosa (PPI) do Regional Sul 2 da CNBB realizou nos dias 15 e 16 de agosto sua assembleia anual no Centro de Formação San Juan Diego, em Guarapuava.
O encontro reuniu representantes de 16 das 18 dioceses do Paraná para momentos de avaliação, formação, espiritualidade e planejamento da caminhada pastoral.
A assembleia possibilitou às coordenações diocesanas avaliar o trabalho desenvolvido junto às pessoas idosas e refletir sobre os desafios encontrados nas comunidades. Também foram apresentadas orientações e diretrizes da coordenação nacional para a continuidade da missão.

Segundo o coordenador da PPI no Regional Sul 2, Roberto Luis Schulka, a assembleia é realizada anualmente e permite olhar para a caminhada realizada e projetar os próximos passos. “Anualmente nós realizamos o nosso encontro com todas as coordenações diocesanas das 18 dioceses aqui do Paraná, para avaliar a caminhada. Como é que nós estamos indo, o que foi feito de positivo e o que precisa ser melhorado”, explicou.
Roberto destacou ainda que a Pastoral da Pessoa Idosa está presente nas 18 dioceses paranaenses. Nesta assembleia, somente as dioceses de Apucarana e Jacarezinho não puderam enviar representantes. “Saímos daqui, além de fortalecer a nossa espiritualidade, trabalhando as novas diretrizes que são repassadas pela coordenação nacional e olhando para o futuro, para como vamos realizar o trabalho com as pessoas idosas”, acrescentou.
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Uma pastoral para diferentes gerações
Um aspecto que a PPI procura tornar cada vez mais conhecido é que apesar do nome a Pastoral da Pessoa Idosa não é formada exclusivamente por pessoas idosas. Jovens e adultos também podem assumir a missão como líderes voluntários. Depois de capacitados realizam visitas e acompanham as pessoas idosas das comunidades.
A missão exige, sobretudo, disponibilidade para servir, capacidade de escuta, atenção e disposição para estar próximo. A participação de pessoas de diferentes idades também favorece o encontro entre gerações.

Um exemplo é Marcos Rodrigues, de 33 anos, coordenador da PPI na Diocese de Cornélio Procópio. Ele conta que a identificação com a missão aconteceu desde o primeiro contato com a pastoral. “Eu já gostava de pessoas idosas e, quando conheci essa pastoral, me apaixonei e fui fazer a capacitação. Fui me identificando e vendo que realmente é uma pastoral na qual gosto de estar presente nessa missão”, relatou.
Para Marcos, as visitas permitem oferecer algo que muitas pessoas idosas necessitam de maneira especial: presença e atenção. “Eu sinto que estou fazendo o bem para essas pessoas idosas, que muitas vezes são esquecidas. A gente está aqui para acolher, dar afeto, amor, carinho e atenção, que é o que mais as pessoas idosas precisam”, afirmou.

Se Marcos representa uma geração mais jovem que encontrou na PPI seu espaço de serviço à Igreja, Maria Lurdes, a Lurdinha, de 78 anos, vice-coordenadora da Pastoral da Pessoa Idosa na Arquidiocese de Cascavel, traz consigo uma longa história de dedicação às pessoas idosas.
Sua caminhada começou antes mesmo da criação da PPI, quando esse trabalho ainda acontecia dentro da Pastoral da Criança. “Eu atuo na Pastoral da Pessoa Idosa desde que ela era uma ação dentro da Pastoral da Criança, chamada Ação Terceira Idade. Desde lá, eu nunca saí. Sempre fui equipe de apoio, fui coordenadora paroquial, coordenadora diocesana e hoje sou vice-coordenadora diocesana da Arquidiocese de Cascavel”, contou.
Depois de tantos anos de serviço, Lurdinha define a pastoral como parte da própria história. “A Pastoral da Pessoa Idosa, para mim, é um pedaço da minha vida. A cada visita, a cada encontro, a cada assembleia ou reunião, você recarrega as baterias para continuar, para dar continuidade à missão.”
Aos 78 anos, ela afirma que pretende permanecer na missão enquanto tiver condições para servir. “Enquanto Deus me der força, coragem e disponibilidade para participar, eu vou continuar seguindo essa missão, a missão de levar a ternura de Deus e a ternura de Nossa Senhora a cada pessoa idosa.”
Dom Amilton destaca cuidado e proximidade

Na manhã do domingo (16) o bispo diocesano de Guarapuava, Dom Amilton Manoel da Silva, presidiu a Santa Missa durante a assembleia. Ao falar sobre a missão da PPI, o bispo destacou que o trabalho vai além das visitas e representa uma presença concreta da Igreja junto às pessoas idosas. “É uma participação bonita na vida do idoso, não só de visitas, mas do cuidado. Quantos idosos a pastoral tem descoberto que estão na solidão, que estão sem cuidado familiar, muitas vezes abandonados pelas famílias”, afirmou.
Dom Amilton lembrou ainda situações em que as próprias circunstâncias da vida fazem com que a pessoa idosa permaneça sozinha por longos períodos, inclusive quando os familiares precisam trabalhar fora. Para o bispo, a PPI torna-se uma presença de proximidade diante dessas realidades. “É importante essa pastoral porque ela se mostra próxima, mostra um cuidado particular com homens e mulheres que têm a sabedoria, a experiência da fé e a experiência da vida.”

O bispo também chamou atenção para a importância do encontro entre as gerações, recordando uma preocupação frequentemente manifestada pelo Papa Francisco. “O Papa Francisco já lembrava da importância de juntar gerações. Então, uma geração de idosos com uma geração de jovens, com certeza, nós teremos uma sociedade mais sadia, mais justa e fraterna, uma sociedade mais humana”, destacou. Ao final, Dom Amilton deixou um convite às comunidades da Diocese de Guarapuava: “Valorize a PPI na sua comunidade, na sua paróquia.”
A assembleia realizada em Guarapuava mostrou, também pela presença de agentes de diferentes idades, que o cuidado com a pessoa idosa é uma missão que pode aproximar gerações. Dos 33 anos de Marcos aos 78 de Lurdinha, há diferentes histórias e experiências, mas uma mesma disposição: estar próximo, escutar e levar cuidado, atenção e afeto às pessoas idosas.





