
Nos dias 21 e 22 de fevereiro de 2026, o Instituto Salette, em Curitiba, acolheu o Encontro Regional de Coordenadores e Assessores da Animação Bíblico-Catequética do Regional Sul 2 da CNBB. Com o tema “Catequese Inclusiva” e o lema “Vem para o meio” (Mc 3,3), o encontro reuniu representantes das (arqui)dioceses do Paraná para aprofundar a dimensão inclusiva na missão catequética da Igreja.
A Diocese de Guarapuava esteve representada pela irmã Lúcia Anita Caçol, assessora da Pastoral Catequética diocesana, reafirmando o compromisso da Igreja local com uma formação sólida e sensível às diversas realidades humanas presentes nas comunidades.
A assessoria foi conduzida por Michele Toso Capellini, que destacou que a inclusão não pode ser entendida apenas como atenção à deficiência. O olhar da Igreja deve alcançar também pessoas com TDAH, altas habilidades/superdotação, condições comportamentais específicas, situações familiares complexas e realidades sociais e culturais ainda não plenamente integradas. A pergunta que atravessou toda a formação foi direta e provocadora: quem está à margem? Quem ainda não está sendo alcançado?
A reflexão apresentou três dimensões fundamentais da inclusão: comunicacional — com descrição de imagens, uso de Libras e comunicação alternativa; instrumental — envolvendo acessibilidade física e organização adequada dos espaços; e atitudinal — que exige superação do preconceito e do julgamento. Foi enfatizado que a barreira mais difícil de vencer não é arquitetônica, mas interior. Também foram abordados aspectos éticos, como o respeito à confidencialidade das famílias, a necessidade de autorização para diálogo com profissionais e o cuidado para não transformar a catequese em espaço clínico.
No campo metodológico, a formação incentivou o uso do método indutivo, partindo da vida concreta dos catequizandos, além da valorização da mistagogia, da previsibilidade para pessoas com autismo e do uso de recursos digitais e de inteligência artificial para favorecer a acessibilidade. A inclusão foi apresentada como caminho permanente de conversão pastoral, que exige escuta, adaptação e abertura ao inesperado.
Encerrado com oração e envio missionário, o encontro reafirmou que a catequese inclusiva não é um projeto paralelo, mas expressão do próprio coração da Igreja, chamada a ser comunidade onde cada pessoa encontre lugar, dignidade e pertença.





