Cerca de 60 pessoas, incluindo padres e agentes das pastorais juvenis de 16 dioceses, além de profissionais da área da saúde convidados, estiveram reunidas no Encontro Regional da Pastoral Juvenil, realizado nos dias 29 e 30 de março, no Centro de Formação San Juan Diego, em Guarapuava. O evento teve como objetivo principal debater e aprofundar o projeto “Cuidar da Vida” uma iniciativa da Comissão Episcopal para a Juventude, voltada especialmente à prevenção do suicídio entre adolescentes e jovens. O encontro contou com a presença de Dom Reginei José Modolo (Dom Zico), bispo auxiliar de Curitiba e referencial para a Pastoral Juvenil no Regional Sul 2 da CNBB

Segundo o padre Kleber Alexandre Pacheco, da diocese de Ponta Grossa, assessor regional da pastoral, o tema do encontro deste ano é especialmente relevante diante do preocupante aumento dos casos de suicídio entre jovens. “Quando olhamos para os noticiários e mesmo para o atendimento pastoral, percebemos que essa realidade tem crescido muito. O suicídio, infelizmente, se torna uma forma extrema de aliviar dores profundas. Frente a isso, a Igreja, como peregrina da esperança e cuidadora da vida, deseja ir ao encontro dos jovens para ajudá-los nesses momentos difíceis, quando perdem o sentido da vida e a esperança”, ressaltou.
Padre Kleber destacou também que, embora duas dioceses não tenham comparecido, a participação foi expressiva, refletindo o compromisso da Igreja em enfrentar esse tema tão urgente. “Tivemos um bom número de participantes e sentimos que esse momento formativo pode fazer uma grande diferença nas comunidades, oferecendo um suporte essencial para nossa juventude”, concluiu o assessor.

Durante o encontro, Dom Reginei reforçou a importância do projeto “Cuidar da Vida”. Segundo o bispo, a iniciativa reflete uma preocupação já presente em diversas esferas da Igreja no Brasil. “A Comissão Episcopal para a Juventude da CNBB tem manifestado constantemente essa preocupação, especialmente diante de situações graves enfrentadas pelos jovens, como o suicídio, o envolvimento com drogas e a violação de sua dignidade humana”, explicou o bispo.
Dom Reginei ressaltou ainda que, desde o ano passado, os 18 bispos referenciais para a juventude no Brasil têm refletido sobre a questão. “Ainda em 2024, enviamos duas jovens psicólogas do nosso Regional para uma formação específica. Elas agora trabalham conosco, partilhando experiências e concretizando esse projeto tão necessário”, afirmou. O objetivo é implementar ações eficazes e planejadas em todas as dioceses do Paraná, alcançando os diversos grupos juvenis. “Queremos garantir que nossos jovens sejam acolhidos, cuidados e protegidos em todas as circunstâncias da vida”, concluiu Dom Reginei.

As psicólogas Giovanna Miola e Ana Rita Bandeira participaram anteriormente de uma formação específica e agora atuam como multiplicadoras desse conhecimento no Regional Sul 2. No encontro, elas destacaram a valorização da vida e a importância da escuta acolhedora.
Giovanna explicou que o evento buscou oferecer formação sobre fatores de risco e proteção relacionados à saúde emocional dos jovens. “Abordamos especialmente a valorização da vida, incentivando um olhar atento para o próximo e o autocuidado. Enfatizamos o valor dos vínculos estabelecidos e da escuta acolhedora, para contribuir positivamente na vida das pessoas que estão ao nosso lado”, ressaltou.
Ana Rita complementou destacando a importância de capacitar agentes pastorais para lidar adequadamente com familiares e a rede de apoio disponível nas comunidades. “Pós-venção: apresentamos ferramentas práticas, indicamos locais para buscar ajuda e orientação, tanto na rede pública quanto particular, junto a psicólogos e outros profissionais de saúde mental. Nosso objetivo foi capacitar os participantes para que possam multiplicar esses conhecimentos nas dioceses, grupos e movimentos juvenis, ajudando os jovens da maneira mais adequada possível”, explicou.

Criseli Matias, coordenadora da Pastoral da Juventude da Diocese de Guarapuava, reforçou a relevância do tema discutido durante o encontro. Ela destacou que as questões relacionadas à saúde mental são frequentes e reais nas comunidades. “As angústias trazidas pelos jovens chegam muitas vezes até nós coordenadores e aos párocos, sem que saibamos claramente como agir. Os psicólogos presentes ofereceram pistas práticas, enfatizando especialmente a importância da escuta acolhedora. Como responsáveis pela juventude nas paróquias e na diocese, precisamos, acima de tudo, ouvir e garantir que os jovens recebam apoio efetivo, demonstrando que a Igreja se importa com eles”, afirmou Criseli.
Da diocese de Guarapuava, além de Criseli, participaram Eliza Portela, coordenadora no Decanato Centro, e o padre Felipe Madureira, coordenador da Comissão para a Animação da Juventude.
A médica Caroline Schmidt foi responsável pelo fechamento das atividades. Ela reforçou a necessidade de multiplicar o conhecimento adquirido durante o encontro, capacitando leigos e agentes pastorais para atuar na prevenção do suicídio juvenil.

A médica alertou ainda sobre os desafios no acesso aos adolescentes, destacando que o suicídio é hoje a terceira causa mais comum de morte nessa faixa etária. “Muitas vezes, crianças e adolescentes chegam aos médicos através de psicólogos e psiquiatras devido a dificuldades escolares ou comportamentais, mas o tema da saúde mental, especialmente o suicídio, ainda é cercado de preconceitos e silêncios”, explicou. Caroline concluiu ressaltando a importância da união entre profissionais de saúde, agentes pastorais e leigos na criação de uma rede eficaz de acolhimento e cuidado com a juventude.