Por uma Igreja Sinodal

No mês de maio corrente iniciamos uma caminhada diocesana de 04 anos, fruto da escuta de todas as paróquias da diocese de Guarapuava (48 paróquias). Pastores, religiosos (as), leigos (as), contribuíram de forma efetiva para apontar as carências e urgências da nossa querida diocese. O resultado desse bonito trabalho sintetizou-se na chamada “Diretrizes Pastorais”.

À luz da Iniciação à Vida Cristã somos chamados a dinamizar e ampliar,, três dimensões: a sinodalidade, a ministerialidade e a missionariedade, numa grande convocação: “Por uma Igreja sinodal, ministerial e missionária”. Aprofundemos, então, a primeira dimensão: a sinodalidade.

Aquilo que o Senhor nos pede, de certo modo, está contido na palavra ‘Sínodo’. Caminhar juntos – leigos, pastores, Bispo de Roma – é um conceito fácil de exprimir em palavras, mas não é assim fácil pô-lo em prática (…). O caminho da sinodalidade é precisamente o caminho que Deus espera da Igreja do terceiro milênio”. Estas palavras do Papa Francisco apontam a vontade de Deus, para a Igreja, neste momento da história. Ao mesmo tempo que sublinham as resistências que temos em exercitar a sinodalidade, em vista de pré-conceitos e rompimento de laços sociais.

Jesus afirmou: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6), apontando que, fora Dele, não há um itinerário existencial seguro e pleno. Os primeiros cristãos compreenderam bem essa afirmação do Mestre pois, em Antioquia, foram chamados de “Caminho” (At 9,2). Assim, a imagem da estrada ou do caminho, expressa de modo simples e teologal a referência “Caminhar juntos”, do grego “Sínodo”. Passos, processos, gradualidade… A consciência se amplia na medida em que nos dispomos a assumir de fato a experiência sinodal.

O tema da sinodalidade foi comum nos primeiros séculos da Igreja e ao longo da história, através de Sínodos e Concílios, onde os Bispos tinham a consciência de que era preciso unir forças, pensar e decidir em conjunto em torno de questões vitais para a vida da Igreja. E, sobretudo, porque pertenciam e representavam uma Igreja fundada sobre a unicidade e a identidade da Palavra, dos Sacramentos e da comunhão.

Mesmo com o obscurecimento da sinodalidade, na Idade Média, com a criação do Colégio dos Cardeais, a compreensão do termo não enfraqueceu. A prova disso é o Concílio Vaticano II, que resgatou a “conciliariedade” como forma de ser da Igreja como comunhão, oferecendo as bases para a reflexão. O pós-concílio foi um tempo de assimilação, aparecendo sobretudo nos documentos papais (magistério) e na convocação de Sínodos. Hoje é claro para nós que a sinodalidade exprime a estrutura operativa da comunhão da Igreja em todos os seus níveis.

O magistério do Papa Francisco tem sido um “acontecimento sinodal”, tanto na discussão teológica como na pastoral da Igreja. Francisco tem inovado e insistido: em sair de uma Igreja de conservação para uma Igreja missionária, que promova a cultura do encontro; de uma Igreja fechada em si mesma, para uma Igreja misericordiosa e compassiva; de uma Igreja clerical a uma Igreja com pastores que vão a encontro das ovelhas, nas periferias existenciais e sociais; de uma Igreja envelhecida e triste a uma Igreja jovem e alegre; de uma Igreja machista e narcisista a uma Igreja povo de Deus, onde todos caminham juntos rumo ao Reino definitivo. Uma Igreja centrada em Jesus Cristo, cujo sopro do Espírito Santo nos propicie vivenciar o frescor do Evangelho.

Por uma Igreja sinodal… Nossa diocese tem consciência de que a sinodalidade faz parte da essência da Igreja, porque brota da Trindade e, pelo batismo, somos chamados a participar da comunhão trinitária. Também tem a consciência de que esse “privilégio” nos torna corresponsáveis pela missão da Igreja, onde devemos pôr em prática, no cotidiano das Paróquias, os compromissos batismais; cada um segundo seu estado de vida, uma vez que todos receberam do Espírito Santo o “sentido da fé” (sensus fidei).

Abracemos com garra este desafio; temos um período de 04 anos para crescermos juntos e expressar sinodalidade em nossas pastorais e movimentos, assumindo o objetivo geral e os específicos, descritos nas Diretrizes Pastorais. Nossa Senhora de Belém caminha conosco, afinal, ela é a mulher peregrina sempre na escuta e na prática da vontade de Deus.

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