Anfitriã do CAM 7, Igreja do Paraná participa de Simpósio internacional no Chile

Encontro reuniu 65 participantes de 19 países e avançou na preparação do Congresso Americano Missionário, que será realizado em Curitiba, em 2029 

A Igreja do Paraná esteve representada no Simpósio Internacional Missiológico, realizado de 24 a 27 de setembro, em Casablanca, no Chile, como parte do caminho de preparação para o 7º Congresso Americano Missionário (CAM 7). O encontro reuniu 65 participantes de 19 países das Américas, em um processo de escuta, reflexão e discernimento sobre os desafios da missão no continente. O CAM 7 será realizado de 14 a 18 de novembro de 2029, na arquidiocese de Curitiba (PR), que foi escolhida para sediar o congresso. 

Com o tema “América em saída: Povo de Deus que anuncia e testemunha Jesus Cristo”, o CAM 7 terá como eixo a missão das Igrejas locais e a experiência de uma Igreja sinodal, chamada a anunciar o Evangelho nas diferentes fronteiras do continente. A proposta retoma a eclesiologia do Concílio Vaticano II, que compreende a Igreja como Povo de Deus, e busca fortalecer a corresponsabilidade das Igrejas particulares na missão. 

A escolha de Curitiba como sede do CAM 7 foi construída em um processo de sinodalidade e contou com o apoio formal e unânime dos bispos do Regional Sul 2 da CNBB. A preparação envolve diferentes organismos eclesiais, entre eles as Pontifícias Obras Missionárias (POM), a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), o Centro Cultural Missionário (CCM), os Conselhos Missionários e a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). 

Dom Maurício da Silva Jardim

Nesse processo, o Paraná tem participação direta na organização do congresso. A arquidiocese de Curitiba, anfitriã do CAM 7, foi representada no Simpósio por seu arcebispo, dom José Antônio Peruzzo; pelo padre Marcondes Martins Barbosa, que integra a Comissão Central e Local do CAM 7; e também pelo doutor Diogo Pessotto, integrante da Comissão de Metodologia do CAM 7. 

Ao todo, a delegação brasileira contou com 21 participantes, liderados pela irmã Regina da Costa Pedro, diretora nacional das Pontifícias Obras Missionárias. Também esteve presente dom Maurício da Silva Jardim, presidente da Comissão Episcopal para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial da CNBB. Durante o simpósio, ambos apresentaram aspectos da preparação do CAM 7, incluindo sua metodologia, cronograma e horizontes teológicos. 

Irmã Regina da Costa Pedro

O simpósio teve como proposta aprofundar a reflexão sobre a missão nas fronteiras e lançar bases para a preparação do CAM 7. Ao longo dos quatro dias, os participantes refletiram sobre a missão, a espiritualidade missionária, a Trindade como fonte e origem da missão e os desafios de uma Igreja em saída. O processo também foi marcado pela dinâmica da “Conversa no Espírito”, favorecendo a escuta recíproca e o discernimento comunitário. 

Para o professor doutor Diogo Pessotto, o encontro foi importante para consolidar elementos que deverão orientar a reflexão do CAM 7. “Foi um simpósio para consolidar alguns elementos do ver da missão na América e no mundo e alguns elementos do julgar, do iluminar. E, concomitantemente, para lançarmos as bases teológicas do que será a discussão, do que será a experiência do CAM 7”, explicou. 

Segundo ele, um dos pontos centrais desse caminho é compreender Deus como origem e fonte da missão e reconhecer que a ação missionária acontece também nas fronteiras, entendidas não apenas geograficamente, mas como os lugares, espaços e temas nos quais a Igreja é chamada a estar presente. “Podemos ser Igreja também em missão em outros espaços”, destacou Diogo, ressaltando a necessidade de superar uma visão limitada às próprias estruturas e facilidades paroquiais para alcançar novas realidades. 

O padre Marcondes também destacou o caráter coletivo e sinodal do processo de preparação. Para ele, o CAM 7 está sendo construído por muitas mãos, a partir de diferentes experiências, culturas e realidades missionárias. Entre os aspectos que considera mais significativos está justamente a compreensão do congresso como um processo contínuo de construção, marcado pela sinodalidade, comunhão, participação, escuta, partilha e discernimento. “O CAM 7 está sendo construído por muitas mãos, com diferentes experiências, culturas e realidades missionárias”, afirmou. 

O sacerdote também ressaltou que a missão proposta pelo CAM 7 ultrapassa fronteiras e mapas geográficos. Trata-se, segundo ele, de um caminho evangelizador que busca alcançar o coração de cada pessoa. “Como missionários, levar Jesus ao coração de cada pessoa; não se trata tanto de ocupar território, mas de alcançar o coração de cada um, da humanidade inteira”, destacou. 

Para o padre Marcondes, essa perspectiva terá consequências importantes para o caminho que está sendo articulado no Paraná. O CAM 7 terá um olhar mais cristológico, colocando o anúncio e o testemunho de Jesus Cristo no centro do tema e apresentando as Igrejas locais como sujeito da missão, em sintonia com a eclesiologia do Concílio Vaticano II. Outro aspecto ressaltado por ele é a compreensão do coração humano como verdadeiro território da missão, o que implica encontrar, acolher e acompanhar cada pessoa. “Clareza no discernimento de que o coração é o verdadeiro território da missão.  Encontrar e acolher a pessoa”, afirmou. 

O processo de preparação também pretende evitar que os simpósios, congressos e encontros sejam compreendidos como iniciativas isoladas. A proposta é construir um caminho contínuo, no qual as experiências de cada país sejam partilhadas e colocadas a serviço da comunhão entre as Igrejas do continente. O CAM 7 será, assim, o ponto culminante de um percurso que já começou. Entre 2026 e 2027, estão previstos processos de escuta sinodal e itinerários testemunhais nas comunidades e dioceses. Em 2027, o II Simpósio Missiológico será realizado no México. O caminho seguirá até o Ano Missionário Nacional, previsto para ocorrer de novembro de 2028 a novembro de 2029, culminando na realização do CAM 7, em Curitiba. 

Para a Igreja do Paraná, a preparação para o congresso representa uma responsabilidade que ultrapassa a organização de um grande evento. A escolha da arquidiocese de Curitiba coloca o estado no centro de um processo continental de reflexão sobre a missão e convoca as Igrejas locais a participarem ativamente desse caminho. 

Durante a última assembleia do episcopado paranaense, realizada de 22 a 25 de setembro, em Guarapuava (PR), os bispos dialogaram amplamente sobre a preparação para o CAM 7 e projetaram um caminho a ser percorrido ao longo dos próximos três anos (2027-2029), com o objetivo de mobilizar toda a Igreja do Paraná para esse grande evento missionário. As orientações e informações sobre esse processo de preparação serão divulgadas em breve. 

A expectativa é que a experiência vivida no Chile continue reverberando nas dioceses, comunidades e organismos missionários os países que compõem o Continente Americano, contribuindo para que o CAM 7 seja compreendido não apenas como uma celebração em 2029, mas como fruto de um processo de escuta, discernimento, comunhão e renovação da ação missionária em todo o continente. 

Fonte: CNBB Sul 2

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