
A Catedral Nossa Senhora de Belém acolheu, na noite desta terça-feira, 31 de março, a Missa do Crisma — também conhecida como Missa dos Santos Óleos e Missa da Unidade — reunindo o bispo diocesano Dom Amilton Manoel da Silva, o presbitério, diáconos, religiosos e fiéis vindos das diversas paróquias da Diocese de Guarapuava.
A celebração evidenciou a comunhão da Igreja particular. Ainda antes do início da missa, já era possível perceber, do lado externo da Catedral, a alegria do reencontro entre os sacerdotes, vindos dos mais diversos cantos da diocese. A procissão de entrada, marcada pela presença de mais de uma centena de padres, foi um dos momentos mais significativos, prolongando-se por mais tempo que o habitual e manifestando visivelmente a unidade do presbitério.
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Na homilia, dirigindo-se aos sacerdotes, Dom Amilton destacou o sentido profundo da fraternidade sacerdotal:
“Hoje é importante lembrar, queridos irmãos, que nós formamos uma família. Não somos homens isolados, mas estamos ligados entre nós por uma íntima fraternidade sacramental que o sacramento da ordem criou entre nós. Através da ordenação, nós formamos um corpo, nós formamos um presbitério.”
O bispo também convidou os padres a olharem com gratidão para a história da Diocese, especialmente neste Ano Jubilar dos 60 anos: “Nosso tema, gratidão, testemunho e missão, nos faz olhar para o passado e agradecer a Deus pelos vários sacerdotes que nos precederam e marcaram positivamente a história da nossa diocese. Esses homens prolongaram a presença amorosa do Cristo Bom Pastor.”
Dom Amilton ainda recordou a realidade vivida em Rio Bonito do Iguaçu após o tornado de 2025, reforçando o compromisso da Igreja com a reconstrução das famílias atingidas. O pároco local, Padre Cristian Jardim, destacou os avanços e a continuidade da missão: “Estamos na fase da reconstrução. Reconstrução de corações e de almas. Reconstrução das casas, das ruas e dos comércios. Agradecemos o apoio da Cáritas Diocesana e dos padres da nossa Diocese.”

Após a Liturgia da Palavra, os sacerdotes, com velas acesas, renovaram as promessas sacerdotais feitas no dia da ordenação, reafirmando sua fidelidade à missão. Na sequência, Dom Amilton pediu aos fiéis que rezassem pelos presbíteros e também por ele, para que permaneçam firmes no serviço à Igreja.
Um dos momentos centrais da celebração foi a bênção dos santos óleos, levados em procissão pelos diáconos até o altar. Foram abençoados o Óleo dos Enfermos, utilizado no sacramento da Unção dos Enfermos, para conforto e fortalecimento espiritual e físico dos doentes; o Óleo dos Catecúmenos usado na preparação para o Batismo, conferindo força na caminhada de fé. Já o Óleo do Crisma foi consagrado pelo bispo, este utilizado nos sacramentos da Crisma e da Ordem.

Ao final da celebração, esses óleos foram entregues aos padres, que os levaram para suas paróquias, onde serão utilizados ao longo de todo o ano litúrgico.
Outro momento marcante foi a entrega do Missal Próprio da Diocese de Guarapuava aos decanos, que posteriormente o repassaram aos párocos. O material foi aprovado pela Santa Sé. Dom Amilton explicou a importância dessa conquista: “Este missal foi nos concedido pelo Papa Leão XIV, através do Dicastério para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos. Eu levei pessoalmente em Roma e recebemos a resposta ainda no mês de dezembro. Nele temos a Missa Solene, a Missa de Vésperas e a Missa votiva de Nossa Senhora de Belém.” O bispo ainda destacou que, para 2027, está prevista a inclusão da solenidade de dedicação da Catedral, após a conclusão das obras de reforma.

A celebração foi concluída com a oração a Nossa Senhora de Belém, padroeira da Diocese, e com o tradicional registro fotográfico do bispo com todo o presbitério.
Para Dom Amilton, a Missa do Crisma expressa a identidade da Igreja diocesana: “Uma missa especial que reuniu todos os padres da nossa Diocese, diáconos, seminaristas, religiosos e representantes das 48 paróquias. É um sinal de unidade, de comunhão e de missão.” A noite foi marcada pela forte participação dos fiéis, que lotaram a Catedral, confirmando que a Igreja em Guarapuava segue viva, unida e missionária.
Reportagem: Jorge Teles – Fotos: Mauricio Toczek





