
Cerca de mil pessoas participaram, na manhã deste sábado, 28 de março, de uma caminhada penitencial pelo Caminho de Belém, no Ramal 1, em Guarapuava. A iniciativa, já consolidada na vivência quaresmal da Diocese, proporcionou aos fiéis uma profunda experiência de oração e reflexão, em preparação para a Semana Santa.
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Os participantes começaram a se reunir ainda de madrugada, em frente à Catedral Nossa Senhora de Belém, de onde saíram às 5 horas, sendo conduzidos de ônibus até as margens do Rio das Mortes, na BR-277, ponto de início da Via-Sacra, às 6 horas.

O percurso de aproximadamente 12 quilômetros foi marcado por paradas, nas quais o bispo diocesano, Dom Amilton Manoel da Silva, ajudava os fiéis a meditarem as estações da Via-Sacra. Uma grande cruz de madeira foi carregada pelos participantes, que se revezaram ao longo do caminho para conduzi-la. A chegada à Catedral aconteceu por volta das 11h30, quando foi celebrada a Santa Missa. Antes, porém, houve uma parada na Praça 9 de Dezembro, onde foi refletida a 14ª estação.
A caminhada reuniu pessoas de diferentes idades e realidades. Com 80 anos, dona Maria Trindade, da Comunidade São João, pertencente à Paróquia Santa Cruz e Nossa Senhora das Dores, completou todo o trajeto e resumiu a experiência com entusiasmo: “Eu adorei, apesar da canseira, adorei bastante. Se tivesse outra daqui uns 15 dias eu iria de novo”.

Também entre os participantes, o jovem seminarista João Vitor dos Santos destacou o sentido comunitário e espiritual da atividade. “Foi difícil, cansativo, mas com Dom Amilton conduzindo e com a presença de pessoas de diversas paróquias, valeu a pena. Ano que vem estamos aí!”, afirmou.
Para muitos, a caminhada teve ainda um significado pessoal profundo. Paroquiana da Paróquia São João Bosco, Marlene contou que decidiu participar em meio a dificuldades vividas. “Eu sempre tive vontade de fazer esse caminho. Estou passando por momentos difíceis na minha vida e falei: é agora. E está lindo, maravilhoso. Deus está agindo muito na nossa vida”, disse.

Ao final, Dom Amilton avaliou positivamente a participação e destacou o espírito vivido pelos fiéis. “Uma avaliação muito boa, primeiro pela resposta ao convite. Este é o segundo ano. No ano passado reunimos cerca de 700 pessoas, agora quase mil. Mas, mais do que a quantidade, é o espírito de abertura, o desejo de fazer a Via-Sacra, revivendo os sofrimentos de Cristo”, afirmou.
O bispo também ressaltou o sentido mais profundo da caminhada, que vai além do esforço físico. “Por essa via de dor, trazemos também as dores da humanidade — dores familiares, comunitárias e sociais. A paixão de Cristo se estende na paixão da humanidade. E ali encontramos respostas naquele que amou até o fim e se entregou por nós”, destacou.

Para Dom Amilton, a experiência vivida ao longo do percurso é também um reflexo da própria vida cristã. “Foi um caminho árduo, mas assim é a vida. Quem perseverar até o fim será salvo. Essa multidão perseverou e é pela força da fé, alimentados pela esperança, que seguimos juntos até o céu”, concluiu.
A caminhada penitencial no Caminho de Belém reforça, ano após ano, seu valor como expressão concreta da fé do povo, unindo sacrifício, oração e comunhão em preparação para a celebração da Páscoa.






