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Festa da Padroeira: cerca de 1.500 fiéis tomam as ruas de Guarapuava no Círio de Belém

A noite desta sexta-feira, 23 de janeiro, ficará gravada na memória e no coração do povo católico de Guarapuava. Pela segunda vez na história da Festa da Padroeira, cerca de mil e quinhentos fiéis tomaram as ruas do centro da cidade para acompanhar o Círio de Belém, expressão pública de fé, devoção e amor filial a Nossa Senhora de Belém.

Tudo começou ao final da Santa Missa das 19h, celebrada na Catedral Nossa Senhora de Belém e presidida pelo bispo diocesano, Dom Amilton Manoel da Silva. Após a consagração à Padroeira, como um rio silencioso e luminoso, a procissão ganhou as ruas, embalada por cantos, orações e momentos profundos de reflexão.

A caminhada teve início na Rua Senador Pinheiro Machado. À frente, alas organizadas davam forma a um verdadeiro mosaico da Igreja em saída: jovens e adolescentes, acólitos e coroinhas; crianças vestidas de anjos, com auréolas iluminadas; ministros extraordinários da Sagrada Comunhão; membros de pastorais e movimentos; além de fiéis vindos de Guarapuava e de cidades da região. Também caminharam juntos representantes do Exército, da Polícia, das forças de segurança e dos escoteiros, sinal visível de cuidado e proteção à vida.

No centro de tudo, Nossa Senhora de Belém, elevada na berlinda ricamente ornamentada, de onde se estendia um imenso manto azul, símbolo do colo materno que acolhe. Atrás dela, centenas de velas acesas transformaram a noite em luz, iluminando não apenas as ruas, mas também os rostos, as lágrimas discretas e as preces silenciosas.

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O cortejo seguiu pela Rua Xavier da Silva, contornou a Lagoa das Lágrimas e fez uma parada comovente em frente ao Hospital São Vicente, onde a procissão silenciou para rezar pelos enfermos, pelos profissionais da saúde e por todos os colaboradores daquela casa hospitalar. Um momento de profunda humanidade e fé, em que a dor foi colocada sob o olhar misericordioso da Mãe.

Ao final, já em frente às escadarias do Santuário Diocesano, a chegada foi marcada por uma queima de fogos, como se o céu também respondesse à oração do povo. Ali, Dom Amilton elevou sua voz em prece pela cidade e pela Diocese e, em um gesto solene, concedeu a bênção com o Santíssimo Sacramento.

Em sua fala, o bispo destacou a força espiritual do momento vivido: “Um momento importante para a nossa comunidade católica, para toda a nossa Diocese. Embora seja aqui na Catedral, distante de muitos municípios e paróquias, tenho a certeza de que todos estiveram em sintonia com este momento especial, o Círio de Belém”, afirmou. Dom Amilton também ressaltou a participação expressiva do povo e das diversas representações: “Este é o segundo ano, com mais de mil pessoas presentes. Queremos destacar de modo particular coroinhas e acólitos, representando todas as nossas paróquias, bem como as forças armadas, a polícia, os escoteiros, aqueles que representam a segurança das famílias e do município”.

O bispo recordou ainda o profundo sentido teológico do gesto: “É um momento importante de oração e reflexão, momento em que nós levamos Maria, mas Maria nos leva para os braços do Filho, para o coração de Deus uno e trino. Atrás da berlinda, um grande manto, como que acolhendo os filhos e filhas da Mãe, os filhos e filhas do Pai”. Ao final, deixou um convite: “Queremos a sua participação, você que não pôde vir este ano. A novena segue até o dia primeiro, preparando para a solenidade de Nossa Senhora de Belém, no dia 2 de fevereiro. Deus abençoe a todos”.

Já o cura e reitor da Catedral e Santuário, padre Jean Patrik Soares, destacou a dimensão histórica e missionária da celebração. “São 140 anos de história da nossa festa, segundo os registros que apuramos, e é o segundo ano que estamos realizando este Círio. É tão bonito ver o povo de Deus que segue com fé”, afirmou. Ele recordou que Maria é modelo de quem se coloca a caminho: “Maria Santíssima foi com pressa até sua prima Isabel, era missionária. E fazer este Círio é também esta oportunidade de, como Maria, nos colocarmos a caminho”.

O padre ainda relacionou o Círio ao lema da festa: “A estrela nos provoca a caminhar, assim como os magos foram guiados até Belém. Também nós somos chamados a nos deixar guiar por essa estrela”. E concluiu destacando o clima vivido pela comunidade: “Chegamos ao início das novenas e vemos a empolgação, a alegria e a disposição de todo o povo de Deus em servir em mais uma festa em honra à nossa querida Padroeira”.

Assim, entre passos, velas, orações e silêncio, o Círio de Belém não foi apenas uma procissão. Foi uma profissão pública de fé. Foi a cidade que caminhou com Maria — e, conduzida por ela, se deixou levar novamente ao encontro de Cristo.

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